Posts Tagged apocalipse

Millennium – Capítulo 7: Terror

Jardim da residência do senhor Linhares, Recreio dos Bandeirantes
Rio de Janeiro – Brasil

8:58 da noite

Ulisses ouviu uma respiração alta atrás de si e virou-se, num salto. Aquilo que ele pensara ser uma pequena árvore no jardim, começou a se movimentar em sua direção lentamente. A respiração era alta e forte, sua forma quase oculta na escuridão; era fino, andava sobre duas pernas e parecia arrastar seus longos braços pelo chão enquanto dava passos largos e lentos. Conseguiu distinguir uma cabeça, mas não havia rosto, apenas algo que aparentava ser uma grande boca sem lábios.

Diante da criatura, Ulisses ficou paralisado de terror. O cheiro que ela exalava era como de carne apodrecida. Nem mesmo em seus pesadelos mais bizarros, havia visto algo como aquilo. A criatura chegou perto dele e deu um rugido alto e agudo, erguendo sua cabeça para o alto. Em seguida, ergueu seu braço para o ar, os longos dedos de sua suposta mão se arquearam e se preparavam para atacar. Quando Ulisses percebeu isso, deu um salto para o lado, se safando por pouco, quando a criatura cravou os dedos bem fundos no chão. Leia o resto deste post »

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Millennium – Capítulo 6: Apreensão

Cinelândia, Rio de Janeiro – Brasil
2 meses e 28 dias antes do Marco Zero

Domingo, 7:45 da noite

Ulisses havia saído de casa sem nem dar atenção ao que dona Glória dizia. Ele corria o mais rápido que suas pernas aguentavam. A única pessoa que teria como conseguir um carro àquela hora de domingo era Daniel, seu melhor amigo. Corria pelas ruas desesperadamente, enquanto suas roupas eram encharcadas pela chuva forte daquela noite. Chegou a escorregar uma ou duas vezes, mas, mesmo machucado, continuou a correr.

Subiu as escadas do prédio onde Daniel morava, devido a um defeito no elevador. Ao chegar no 5º andar, correu até a porta de seu apartamento e quase pôs ela abaixo, de tanto bater.

- Eita, rapaz! A que horas o mundo vai acabar mesmo? – disse Daniel, ao abrir a porta, vendo o estado em que Ulisses estava.

- Cara, preciso que me leve até a casa do senhor Linhares! – disse Ulisses, quase sem fôlego. – Me diga que seu pai não saiu de carro hoje, por favor!

- Não, o velho tá descansando – disse Daniel, apontando para o pai apagado no sofá – E nem parece que tá muito a fim de sair. Mas o que houve? Ele mandou te demitir e você quer implorar pra ele voltar atrás? Se for isso, dá pra ser amanhã de manhã, eu te levo lá.

- Não é nada disso! – Ulisses estava impaciente – É questão de vida ou morte, te explico no caminho, é sério. Leia o resto deste post »

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Millennium – Capítulo 5: Sonho e Realidade

Igreja Aliança Eterna em Realengo, Rio de Janeiro – Brasil
2 meses e 28 dias para o Marco Zero

Reverendo James estava pensativo. Os pastores Cristiano e Felipe não ousavam interrompê-lo em seus pensamentos, devido ao temor que tinham a uma das maiores autoridades de sua igreja. Era domingo, e o culto da manhã já havia acabado, quando James apareceu subitamente na igreja. Pediu para dispensar o serviço dos diáconos e de todos os grupos de evangelização e de oração, fechando a igreja para uma reunião particular.

- As coisas estão se apertando, Cristiano. – James quebrou o silêncio – Eles estão preparando algo grande, suas atividades nunca foram tão intensas. Temos que dar o start no nosso plano, ou muitas vidas mais vão se perder.

Pastor Cristiano engoliu em seco. Acompanhando notícias de muitas mortes estranhas e sem explicação no Rio de Janeiro, já sabia o que estava por trás. As mortes causadas por eles nunca são divulgadas por jornais, revistas ou o que seja, porém agora devem estar agindo tão intensamente que não conseguem mais conter as notícias.

- Reverendo, infelizmente temos poucos de confiança, mesmo dentro da nossa igreja. – dizia Cristiano. – A organização do Millennium deve ser cautelosa, pois se houver algum deles infiltrado no nosso meio, o plano vai fracassar antes mesmo de começar.

- Os Judas sempre vão existir, meu caro amigo. – disse James. – O que não podemos é deixar a contagem regressiva começar sem termos algo preparado. A qualquer momento isso vai acontecer, ouça o que eu digo. A Ordem não é idiota, eles estão de olho nos sinais que ocorrem pelo mundo inteiro, e cuidam de mascarar ou esconder a maioria, para que as pessoas não saibam. Os seus principais peões estão em movimento, inclusive Vladmir já está no Rio de Janeiro.

- Vladmir!? – pastor Cristiano se surpreendeu. Leia o resto deste post »

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Millennium – Capítulo 4: Olhos azuis

Em um beco qualquer no Rio de Janeiro – Brasil
3 meses antes do Marco Zero

- O que está fazendo aqui? – disse uma voz atrás de Ulisses.

Ulisses se virou rapidamente, com o coração na boca. O homem que havia segurado o seu ombro era alto, negro e tinha os cabelos um pouco grisalhos, apesar de aparentar ter menos de 30 anos. Vestia uma calça preta e uma camisa azul-clara, com uma gola semelhante à que usam os padres católicos.

- Anda, me diz! O que você quer na cena de um crime? Aqui não é lugar para curiosos! – seu sotaque parecia ser europeu.

- M-me desculpa! – gaguejou Ulisses. – Eu vi na televisão que tinham matado alguém aqui e só tava querendo dar uma olhada, é sério!

- Local de assassinato não é parque de diversões. É melhor sair daqui… – mas parou de falar. Seus olhos se fixaram no rosto de Ulisses, como se visse algo que não esperava.
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Millennium – Capítulo 3: A morte de um Silva

Casa de Ulisses, Rio de Janeiro – Brasil
3 meses antes do Marco Zero

Ele acordou gritando, desesperado. Era madrugada, e seu quarto ainda estava escuro demais. Mais uma vez sonhara com aquele homem de chapéu-côco. Cada sonho era pior que o anterior, e eles estavam se tornando tão fortes, que parecia que ele estava acordado, vivenciando a situação. Levantou-se, respirando fundo, e somente conseguiu se acalmar quando percebeu que estava mesmo em seu quarto.

A dor de cabeça que sentia era indescritível. Decidiu levantar-se e ir ao banheiro, tomar algum remédio que o ajudasse a se livrar daquela dor insuportável. Ao se levantar, quase tomou um susto com o pôster da caveira, mascote de sua banda de rock favorita, que estava pendurado na parede ao pé de sua cama.

- Dessa vez você não me assustou, Eddie! – disse, apontando para o pôster. – Um dia ainda vou tirar você daí.

Mas não ia mesmo. O rock que ele ouvia era a única forma de esquecer os terríveis pesadelos. Seguiu para o banheiro, passando pelo corredor escuro. Acendeu a luz e olhou-se no espelho. “Cara, você está mesmo acabado!” – disse para si mesmo.

Ulisses tinha 23 anos, e tinha acabado de terminar a faculdade de engenharia. Seus olhos eram negros, assim como seu cabelo e sua pele era um pouco morena, quase branca. Usava o cabelo um pouco comprido, mas nunca deixava chegar até os ombros. Naquele momento, sua aparência no espelho era de alguém que não dormia há vários dias. Tomou o remédio e voltou para o corredor escuro, andando até chegar ao seu quarto novamente.

Deitou-se, fechando logo os olhos. Foi difícil dormir com o barulho que acontecia lá fora. Chegou a ouvir tiros, gritos e sirenes de alguma coisa que poderia ser a polícia ou uma ambulância. Mas a dor de cabeça era muita para se preocupar com isso. Depois de um tempo, adormeceu de novo, com sonhos confusos passando por sua mente, no restante da noite.

Acordou pela manhã, bem antes do despertador tocar. Ainda não estava cem por cento descansado, mas preferiu levantar logo. Tomou um banho, arrumou-se e foi para a sala. Ao terminar de preparar o seu café da manhã, sua mãe chegava da rua.

- Acordou cedo, filho? – disse dona Glória surpresa. – Que bom, assim vai poder comer com calma hoje.

- Quem me dera que tivesse sido por vontade própria. Aonde estava?

- No lugar de sempre. – disse dona Glória, já esperando a cara de impaciência do filho.

Dona Glória era membro fiel de uma igreja muito conhecida, chamada Aliança Eterna. Uma denominação evangélica que estava em vários países e agregava muitos fiéis. Ulisses era desacreditado com igrejas. Além de ateu e cético, via várias reportagens na TV e nos jornais, mostrando vários líderes de igrejas evangélicas envolvidos em esquemas fraudulentos. Ulisses acreditava em tudo o que via na TV, mas dona Glória não parava de repetir que aquilo poderia ser perseguição religiosa, e que as coisas não eram bem assim.

- Enquanto você dava para o seu pastor um pedaço da sua pensão, seu filho acordava com outro pesadelo daqueles – disse Ulisses, com um ar de provocação.

- De novo, filho? – disse, ignorando a provocação do filho. – Outro sonho com aquele homem do chapéu?

Lembrar da figura do homem de chapéu-côco explodindo uma pessoa aos poucos em seu sonho, acabou lhe deixou desconfortável. Porém diante da mãe, não queria transparecer nada.

- Ele parece interessado em mim, fazer o quê? Mata por mim e tudo! – Ulisses ria com sarcasmo.

- Como se isso fosse coisa boa! – exclamou dona Glória. Quem se importa de verdade com as pessoas, não tira a vida de outras. Ama o seu próximo, cuida do próximo e, se preciso, dá até a vida por ele. Quem tem prazer em tirar uma vida, não tem nada de bom para passar a ninguém.

- Sei! Que nem esse tal Jesus que você acredita! O cara não morreu pra salvar ninguém não, mãe! Só morreu por que falou demais… – e virou para a tigela de cereal.

- Não fala do que você não entende, menino! – ela já estava acostumada a ouvir essas provocações. – Você tem é que parar de ver filmes de terror, esses pesadelos estão ficando muito freqüentes.

- Eu morro tendo pesadelos, mas não deixo de fazer as coisas que eu gosto! – falou de boca cheia e continuou a comer seu cereal, sem falar mais uma palavra.

“É uma abitolada mesmo.” – pensava ele. Olhou para o relógio. Realmente ainda era cedo. A loja em que ele trabalhava como atendente só abriria dali a 1 hora, e ele demorava uns 20 minutos para chegar até lá. Resolveu dar uma arrumada no quarto antes de ir. Tinha um certo medo de tirar um cochilo, tanto por não querer perder a hora, quanto por não estar a fim de ver o homem de chapéu-côco de novo.

Entrou no quarto e começou a arrumar a cama. Foi quando olhou na mesa de cabeceira e viu uma foto sua com seu pai, quando ele ainda era criança. Seu Eduardo era militar e teve que se aposentar por causa de uma doença grave, que o levou à morte. Dona Glória entrou para a igreja pouco depois da morte de Seu Eduardo.

“Como minha mãe é boba. Se Deus existisse mesmo, não teria permitido que ela ficasse sozinha no mundo para criar um filho sem pai”. Ulisses repetia isso para si todas as vezes que via a foto de seu pai. Para não deixar a tristeza e a revolta o envolverem, foi logo para o seu ponto de fuga, ouvindo o rock mais barulhento que podia ouvir.

————————————

El Galanteador era o nome da loja em que Ulisses trabalhava na avenida Rio Branco, onde só eram vendidas roupas masculinas de primeira linha. Esse era o motivo porque Ulisses acreditava que o homem que aparecia em seus sonhos não poderia ser qualquer pessoa. Ele sabia reconhecer uma roupa cara logo de primeira.

- Viajando na maionese, cara? Ou tava pensando na morte da bezerra?

Daniel era o melhor amigo de Ulisses, e também atendente da El Galanteador. Eles se conheceram no segundo ano do segundo grau e foi ele quem conseguiu o emprego para Ulisses. Era branco, com olhos castanhos e cabelo cabelo castanho claro, mas que sempre pintava de preto. Usava um brinco bem pequeno na orelha esquerda, e curtia as mesmas bandas de rock de Ulisses. Os dois sempre iam juntos aos shows.

- Viajando na maionese? Morte da bezerra? Minha avó falava isso no berçário! – disse Ulisses.

- É isso que acontece quando passo um fim de semana com a minha… E as novidades?

- Nada, só o mesmo de sempre – ele deixou escapar um bocejo alto.

- Caraca, isso que é sono! Não dormiu de noite não?

- Dormi mal. Esses pesadelos acontecem quase todo dia. O mesmo homem matando gente na minha frente, dizendo que eu sou seu protegido.

- Eu acho que você mistura a logo da loja com seus filmes de terror – disse Daniel, se lembrando que a logo da El Galanteador era uma silhueta de Charles Chaplin.

- Será que é isso mesmo? – indagou ele. Digo, não acredito em essas coisas de sonho, ou paranormal, mas sei lá! Às vezes parece mais do que sonho, como se eu estivesse lá mesmo, sabe? É muito estranho…

- Olha mano, se eu não conhecesse você, acharia que está lelé da cuca. Será que não seria bom ver um psiquiatra? Esses caras ajudam muita gente, sabia?

- Quero ver se um psiquiatra vai me ajudar a não ter mais pesadelos! – disse ele duvidando da dica do amigo. Aliás, lelé da cuca é outra gíria da sua avó!

Continuaram conversando por um bom tempo, enquanto arrumavam algumas prateleiras. O dia estava meio fraco para as vendas e os dois não tinham muito o que fazer. Foram até os fundos da loja, onde tinha uma televisão, e continuaram a conversar bobagens, enquanto procuravam alguma coisa para ver, até que algum cliente aparecesse.

Naquele momento, algo chamou a sua atenção em um dos canais. Uma foto com um rosto conhecido apareceu num telejornal matinal, e ele tentava se lembrar de onde tinha visto aquele rosto. Parecia a notícia de algum crime, e era ao vivo.

- Aumenta aí!! – gritou Ulisses. Vai, ali, a televisão! Rápido!

Daniel aumentou. Conseguiram ouvir ainda o que o repórter falava.

“… uma morte violenta. A vítima, João Carlos da Silva, foi encontrado pendurada em um poste, próximo à avenida Rio Branco, com o corpo mutilado. Ao que parece, a vítima foi assassinada em um beco e arrastada até o local onde o corpo foi encontrado. A polícia neste momento, procura pistas que possam levar ao assassino…”

- João Carlos… Joca! Joca Sapateiro! É o homem que morreu no meu sonho! – disse Ulisses.

- Fala sério, vai me dizer que agora tá prevendo o futuro!? – Daniel já achava que o amigo estava delirando.

- Tô falando sério, cara! É exatamente como o meu sonho! O homem matou esse cara… Joca… no mesmo beco que eu pego atalho quando me atraso! E no meu sonho ele era pendurado em um poste depois de morto!

- Deve ser coincidência. Morre muita gente nesta cidade. – Daniel fazia referência à violência crescente mostrada nos jornais. – E esse aí foi só mais um azarado.

- Coincidência ou não, o lugar é perto, vou dar uma olhada. Segura aí pra mim! – jogou a mercadoria que tinha em mãos. Qualquer coisa, passei mal e fui no médico.

Ulisses saiu correndo da El Galanteador. Coincidência ou não, ele tinha que conferir aquele beco. Seus pensamentos estavam muito confusos agora. Como podiam os seus sonhos se misturarem com a realidade? Será que ele estaria tão impressionado com esses pesadelos, que agora uma simples notícia no jornal deixava ele assim?

Mas não era somente aquilo. Há um mês atrás, algo semelhante aconteceu. Ulisses sonhara com o homem de chapéu-côco perseguindo uma mulher. A mulher corria em direção a Ulisses, e assim que o via, parava imediatamente, fitando seus olhos. Ela saltou em seus braços, implorando que ele a salvasse.

“Como você espera que eu faça isso?” – dizia Ulisses a ela. “Sabe que ele é muito mais forte do que eu”.

“Não aqui, lá fora!” – ela dizia desesperada, voltando a correr. Ulisses a acompanhava com os olhos, sem se mover.

Subitamente, um clarão e um estouro, e a perna direita da mulher se esfacelava. Ela desabava no chão, gritando de dor, enquanto o homem se aproximava dela. Ao passar por Ulisses, sorria, olhando-o com seus olhos vermelhos.

“Você vê, Ulisses?” – dizia ele. “É assim que se trata seus inimigos”! – e seguia, torturando a mulher até a morte, nas vistas de Ulisses. Esse foi um dos sonhos que mais o deixou impressionado.

Dois dias depois, passando por uma banca, viu em um jornal, a notícia de um assassinato. A foto da vítima era exatamente a mesma da mulher em seu sonho. Aquilo o deixou profundamente perturbado por vários dias. E agora, acontecia de novo, com o tal Joca. Ulisses imaginava que uma vez podia ser coincidência, mas duas eram demais. Ele precisava conferir.

O lugar onde encontraram o corpo de Joca Sapateiro ficava bem perto de onde estava agora. Para não chamar a atenção, ele preferiu dar a volta, e passar pelo outro lado da rua. Viu o poste ao longe e chegou perto, mas não pôde chegar muito. O lugar estava interditado e vários PM’s espalhavam-se por todo o lado. Uma equipe de reportagem televisiva retirava suas coisas do local. Podia ainda ver o repórter que apareceu dentro do carro da reportagem.

Viu as marcas de sangue no poste e um rastro que levava a um beco, onde ele havia visto o homem de chapéu-coco sorrir para ele em seu sonho. Tentou olhar dentro do beco e viu várias pessoas reunidas, onde havia marcas de sangue espalhadas por todos os lados, do chão às paredes. Alguns tiravam fotos, outros tinham blocos de notas, e alguns simplesmente rodeavam o lugar, procurando por pistas.

- Curiosos não são bem-vindos! – um policial apareceu de repente. – Circulando, circulando! – e foi empurrando Ulisses e outras pessoas que paravam para olhar.

Ele resolveu dar a volta pelo beco e ver de mais de perto. Fez o caminho, como se estivesse voltando para casa pelo atalho. Na mesma hora, sentiu um calafrio, ao perceber que, exceto pela luz do dia, o beco estava igualzinho ao seu pesadelo. Respirou fundo e seguiu em frente, andou um bom pedaço até encontrar o contentor de lixo, onde o homem de chapéu-coco esteve no sonho. Mais à frente, viu a esquina onde virou e tinha começado a ser perseguido por Joca.

“Que loucura, parece que estou revivendo meu sonho!” – dizia para si mesmo. Correu até a esquina e quando estava próximo, parou abruptamente. Alguém agarrou seu ombro com força.

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Millennium – Capítulo 3: A morte de um Silva

Casa de Ulisses, Rio de Janeiro – Brasil
3 meses antes do Marco Zero

Ele acordou gritando, desesperado. Era madrugada, e seu quarto ainda estava escuro demais. Mais uma vez sonhara com aquele homem de chapéu-côco. Cada sonho era pior que o anterior, e eles estavam se tornando tão fortes, que parecia que ele estava acordado, vivenciando a situação. Levantou-se, respirando fundo, e somente conseguiu se acalmar quando percebeu que estava mesmo em seu quarto.

A dor de cabeça que sentia era indescritível. Decidiu levantar-se e ir ao banheiro, tomar algum remédio que o ajudasse a se livrar daquela dor insuportável. Ao se levantar, quase tomou um susto com o pôster da caveira, mascote de sua banda de rock favorita, que estava pendurado na parede ao pé de sua cama.

- Dessa vez você não me assustou, Eddie! – disse, apontando para o pôster. – Um dia ainda vou tirar você daí.

Mas não ia mesmo. O rock que ele ouvia era a única forma de esquecer os terríveis pesadelos. Seguiu para o banheiro, passando pelo corredor escuro. Acendeu a luz e olhou-se no espelho. “Cara, você está mesmo acabado!” – disse para si mesmo.

Ulisses tinha 23 anos, e tinha acabado de terminar a faculdade de engenharia. Seus olhos eram negros, assim como seu cabelo e sua pele era um pouco morena, quase branca. Usava o cabelo um pouco comprido, mas nunca deixava chegar até os ombros. Naquele momento, sua aparência no espelho era de alguém que não dormia há vários dias. Tomou o remédio e voltou para o corredor escuro, andando até chegar ao seu quarto novamente.

Deitou-se, fechando logo os olhos. Foi difícil dormir com o barulho que acontecia lá fora. Chegou a ouvir tiros, gritos e sirenes de alguma coisa que poderia ser a polícia ou uma ambulância. Mas a dor de cabeça era muita para se preocupar com isso. Depois de um tempo, adormeceu de novo, com sonhos confusos passando por sua mente, no restante da noite.

Acordou pela manhã, bem antes do despertador tocar. Ainda não estava cem por cento descansado, mas preferiu levantar logo. Tomou um banho, arrumou-se e foi para a sala. Ao terminar de preparar o seu café da manhã, sua mãe chegava da rua.

- Acordou cedo, filho? – disse dona Glória surpresa. – Que bom, assim vai poder comer com calma hoje.

- Quem me dera que tivesse sido por vontade própria. Aonde estava?

- No lugar de sempre. – disse dona Glória, já esperando a cara de impaciência do filho.

Dona Glória era uma viúva, de 49 anos. Seus cabelos eram grisalhos, usava pequenos óculos que ficavam à frente de seus olhos pretos. Tinha uma aparência enérgica e dificilmente se encontrava cansada. Era membro fiel de uma igreja muito conhecida, chamada Aliança Eterna. Uma denominação evangélica que estava em vários países e agregava muitos fiéis. Ulisses era desacreditado com igrejas. Além de ateu e cético, via várias reportagens na TV e nos jornais, mostrando vários líderes de igrejas evangélicas envolvidos em esquemas fraudulentos. Ulisses acreditava em tudo o que via na TV, mas dona Glória não parava de repetir que aquilo poderia ser perseguição religiosa, e que as coisas não eram bem assim.

- Enquanto você dava para o seu pastor um pedaço da sua pensão, seu filho acordava com outro pesadelo daqueles – disse Ulisses, com um ar de provocação.

- De novo, filho? – disse, ignorando a provocação do filho. – Outro sonho com aquele homem do chapéu?

Lembrar da figura do homem de chapéu-côco explodindo uma pessoa aos poucos em seu sonho, acabou lhe deixou desconfortável. Porém diante da mãe, não queria transparecer nada.

- Ele parece interessado em mim, fazer o quê? Mata por mim e tudo! – Ulisses ria com sarcasmo.

- Como se isso fosse coisa boa! – exclamou dona Glória. Quem se importa de verdade com as pessoas, não tira a vida de outras. Ama o seu próximo, cuida do próximo e, se preciso, dá até a vida por ele. Quem tem prazer em tirar uma vida, não tem nada de bom para passar a ninguém.

- Sei! Que nem esse tal Jesus que você acredita! O cara não morreu pra salvar ninguém não, mãe! Só morreu por que falou demais… – e virou para a tigela de cereal.

- Não fala do que você não entende, menino! – ela já estava acostumada a ouvir essas provocações. – Você tem é que parar de ver filmes de terror, esses pesadelos estão ficando muito freqüentes.

- Eu morro tendo pesadelos, mas não deixo de fazer as coisas que eu gosto! –  falou de boca cheia e continuou a comer seu cereal, sem falar mais uma palavra.

“É uma abitolada mesmo.” – pensava ele. Olhou para o relógio. Realmente ainda era cedo. A loja em que ele trabalhava como atendente só abriria dali a 1 hora, e ele demorava uns 20 minutos para chegar até lá. Resolveu dar uma arrumada no quarto antes de ir. Tinha um certo medo de tirar um cochilo, tanto por não querer perder a hora, quanto por não estar a fim de ver o homem de chapéu-côco de novo.

Entrou no quarto e começou a arrumar a cama. Foi quando olhou na mesa de cabeceira e viu uma foto sua com seu pai, quando ele ainda era criança. Seu Eduardo era militar e teve que se aposentar por causa de uma doença grave, que o levou à morte. Dona Glória entrou para a igreja pouco depois da morte de Seu Eduardo.

“Como minha mãe é boba. Se Deus existisse mesmo, não teria permitido que ela ficasse sozinha no mundo para criar um filho sem pai”. Ulisses repetia isso para si todas as vezes que via a foto de seu pai. Para não deixar a tristeza e a revolta o envolverem, foi logo para o seu ponto de fuga, ouvindo o rock mais barulhento que podia ouvir.

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El Galanteador era o nome da loja em que Ulisses trabalhava na avenida Rio Branco, onde só eram vendidas roupas masculinas de primeira linha. Esse era o motivo porque Ulisses acreditava que o homem que aparecia em seus sonhos não poderia ser qualquer pessoa. Ele sabia reconhecer uma roupa cara logo de primeira.

- Viajando na maionese, cara? Ou tava pensando na morte da bezerra?

Daniel era o melhor amigo de Ulisses, e também atendente da El Galanteador. Eles se conheceram no segundo ano do segundo grau, estudaram juntos e fizeram a mesma faculdade. Foi ele quem conseguiu o emprego para Ulisses. Tinha 22 anos, era branco, com olhos castanhos e cabelo cabelo castanho claro, mas que sempre pintava de preto. Usava um brinco bem pequeno na orelha esquerda, e curtia as mesmas bandas de rock de Ulisses. Os dois sempre iam juntos aos shows.

- Viajando na maionese? Morte da bezerra? Minha avó falava isso no berçário! – disse Ulisses.

- É isso que acontece quando passo um fim de semana com a minha… E as novidades?

- Nada, só o mesmo de sempre – ele deixou escapar um bocejo alto.

- Caraca, isso que é sono! Não dormiu de noite não?

- Dormi mal. Esses pesadelos acontecem quase todo dia. O mesmo homem matando gente na minha frente, dizendo que eu sou seu protegido.

- Eu acho que você mistura a logo da loja com seus filmes de terror – disse Daniel, se lembrando que a logo da El Galanteador era uma silhueta de Charles Chaplin.

- Será que é isso mesmo? – indagou ele. Digo, não acredito em essas coisas de sonho, ou paranormal, mas sei lá! Às vezes parece mais do que sonho, como se eu estivesse lá mesmo, sabe? É muito estranho…

- Olha mano, se eu não conhecesse você, acharia que está lelé da cuca. Será que não seria bom ver um psiquiatra? Esses caras ajudam muita gente, sabia?

- Quero ver se um psiquiatra vai me ajudar a não ter mais pesadelos! – disse ele duvidando da dica do amigo. Aliás, lelé da cuca é outra gíria da sua avó!

Continuaram conversando por um bom tempo, enquanto arrumavam algumas prateleiras. O dia estava meio fraco para as vendas e os dois não tinham muito o que fazer. Foram até os fundos da loja, onde tinha uma televisão, e continuaram a conversar bobagens, enquanto procuravam alguma coisa para ver, até que algum cliente aparecesse.

Naquele momento, algo chamou a sua atenção em um dos canais. Uma foto com um rosto conhecido apareceu num telejornal matinal, e ele tentava se lembrar de onde tinha visto aquele rosto. Parecia a notícia de algum crime, e era ao vivo.

- Aumenta aí!! – gritou Ulisses. Rápido!

Daniel aumentou. Conseguiram ouvir ainda o que o repórter falava.

“… uma morte violenta. A vítima, João Carlos da Silva, foi encontrado pendurada em um poste, próximo à avenida Rio Branco, com o corpo mutilado. Ao que parece, a vítima foi assassinada em um beco e arrastada até o local onde o corpo foi encontrado. A polícia neste momento, procura pistas que possam levar ao assassino…”

- João Carlos… Joca! Joca Sapateiro! É o homem que morreu no meu sonho! – disse Ulisses.

- Fala sério, vai me dizer que agora tá prevendo o futuro!? – Daniel já achava que o amigo estava delirando.

- Tô falando sério, cara! É exatamente como o meu sonho! O homem matou esse cara… Joca… no mesmo beco que eu pego atalho quando me atraso! E no meu sonho ele era pendurado em um poste depois de morto!

- Deve ser coincidência. Morre muita gente nesta cidade. – Daniel fazia referência à violência crescente mostrada nos jornais. – E esse aí foi só mais um azarado.

- Coincidência ou não, o lugar é perto, vou dar uma olhada. Segura aí pra mim! – jogou a mercadoria que tinha em mãos. Qualquer coisa, passei mal e fui no médico.

Ulisses saiu correndo da El Galanteador. Coincidência ou não, ele tinha que conferir aquele beco. Seus pensamentos estavam muito confusos agora. Como podiam os seus sonhos se misturarem com a realidade? Será que ele estaria tão impressionado com esses pesadelos, que agora uma simples notícia no jornal deixava ele assim?

Mas não era somente aquilo. Há um mês atrás, algo semelhante aconteceu. Ulisses sonhara com o homem de chapéu-côco perseguindo uma mulher. A mulher corria em direção a Ulisses, e assim que o via, parava imediatamente, fitando seus olhos. Ela saltou em seus braços, implorando que ele a salvasse.

“Como você espera que eu faça isso?” – dizia Ulisses a ela. “Sabe que ele é muito mais forte do que eu”.

“Não aqui, lá fora!” – ela dizia desesperada, voltando a correr. Ulisses a acompanhava com os olhos, sem se mover.

Subitamente, um clarão e um estouro, e a perna direita da mulher se esfacelava. Ela desabava no chão, gritando de dor, enquanto o homem se aproximava dela. Ao passar por Ulisses, sorria, olhando-o com seus olhos vermelhos.

“Você vê, Ulisses?” – dizia ele. “É assim que se trata seus inimigos”! – e seguia, torturando a mulher até a morte, nas vistas de Ulisses. Esse foi um dos sonhos que mais o deixou impressionado.

Dois dias depois, passando por uma banca, viu em um jornal, a notícia de um assassinato. A foto da vítima era exatamente a mesma da mulher em seu sonho. Aquilo o deixou profundamente perturbado por vários dias. E agora, acontecia de novo, com o tal Joca. Ulisses imaginava que uma vez podia ser coincidência, mas duas eram demais. Ele precisava conferir.

O lugar onde encontraram o corpo de Joca Sapateiro ficava bem perto de onde estava agora. Para não chamar a atenção, ele preferiu dar a volta, e passar pelo outro lado da rua. Viu o poste ao longe e chegou perto, mas não pôde chegar muito. O lugar estava interditado e vários PM’s espalhavam-se por todo o lado. Uma equipe de reportagem televisiva retirava suas coisas do local. Podia ainda ver o repórter que apareceu dentro do carro da reportagem.

Viu as marcas de sangue no poste e um rastro que levava a um beco, onde ele havia visto o homem de chapéu-coco sorrir para ele em seu sonho. Tentou olhar dentro do beco e viu várias pessoas reunidas, onde havia marcas de sangue espalhadas por todos os lados, do chão às paredes. Alguns tiravam fotos, outros tinham blocos de notas, e alguns simplesmente rodeavam o lugar, procurando por pistas.

- Curiosos não são bem-vindos! – um policial apareceu de repente. – Circulando, circulando! – e foi empurrando Ulisses e outras pessoas que paravam para olhar.

Ele resolveu dar a volta pelo beco e ver de mais de perto. Fez o caminho, como se estivesse voltando para casa pelo atalho. Na mesma hora, sentiu um calafrio, ao perceber que, exceto pela luz do dia, o beco estava igualzinho ao seu pesadelo. Respirou fundo e seguiu em frente, andou um bom pedaço até encontrar o contentor de lixo, onde o homem de chapéu-coco esteve no sonho. Mais à frente, viu a esquina onde virou e tinha começado a ser perseguido por Joca.

“Que loucura, parece que estou revivendo meu sonho!” – dizia para si mesmo. Correu até a esquina e quando estava próximo, parou abruptamente. Alguém agarrou seu ombro com força.

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Millennium – Capa temporária

Estou postando uma arte rápida para o que eu imagino que seja a capa do livro. A imagem é retirada de um blog da internet, então não pode ser usada como a capa original. Vou caprichar ainda na arte, e deixo um convite a quem puder preparar uma imagem boa que tenha a ver com o assunto do livro. Os créditos das ilustrações serão postados nos capítulos em que elas aparecerem.

Além da capa, criei também uma página, com o índice geral dos capítulos, que pode ser vista no topo do blog.

Abraços do seu brother, G@be-san

Let Jesus do an upgrade in your life

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Wake Up Call – O Chamado para Acordar

Venho passar a vocês um documentário muito interessante, que se chama Wake Up Call, que eu já assisti uma vez e estou assistindo de novo. O documentário foi feito por teóricos da conspiração nos Estados Unidos e circula livremente pelo Youtube. Aqui no Brasil, ele chegou por uma distribuidora de filmes evangélicos, sobre o nome de Alerta Final, ainda que não seja um documentário necessariamente evangélico.

O documentário fala sobre o que há por trás dos governos, a fundação dos Estados Unidos e a economia mundial, ainda mostrando como o mundo está correndo em direção a uma unificação, um governo mundial. As estratégias de uma sociedade secreta, que compõem-se de 13 famílias, que controlam tudo o que acontece na grande maioria dos países.

É um documentário para ser visto com a mente aberta, pois muitas verdades expostas podem chocar a maioria das pessoas. Quem é estudioso da bíblila, verá nos fatos apresentados o cumprimento de muitas profecias da Bíblia sobre os últimos tempos.

Recomendo dar uma olhada na parte 1 e na parte 10, mas é bom assistir na totalidade. Acompanhe aqui o documentário inteiro:

Parte 1:

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Millennium – Capítulo 2: Medo

Capítulo 2 – Medo

Rio de janeiro, Brasil – 3 meses antes do Marco Zero

Medo. Era a única palavra que descrevia aquilo que ele sentia naquele momento. Aquela rua poderia, de início, parecer um bom atalho, mas agora que ele o havia tomado, uma ponta de arrependimento brotava em seu coração. Voltando tarde da noite, indo do trabalho para casa, havia encontrado aquele beco, que já havia usado para chegar mais rápido ao trabalho nas inúmeras vezes em que acordava atrasado. Nunca havia entrado por ele àquela hora da noite.

Tudo estava escuro, com quase nenhuma iluminação; a movimentação de pessoas ali era zero e não se conseguia ouvir nem sequer o ruído das pessoas e dos carros na rua ao lado. Ulisses, mesmo tão cético que era, sentia um medo sobrenatural se apoderar dele.

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Millennium – Capítulo 1: Um Passado Esquecido

Capítulo 1 – Um Passado Esquecido

Rio de Janeiro, Brasil – Sivan, dia 15 do ano 3. 10 anos após o Marco Zero

Caminho pelas ruas do Rio de Janeiro. Não são mais como antigamente, já que fazem três anos desde que as águas recuaram das cidades litorâneas. As lembranças daqueles dias quase se apagam de nossa memória, como se fosse um sonho no momento em que você acorda pela manhã. Nada do que aconteceu naqueles dias parece importante agora, nem mesmo sentimos falta das pessoas que não estão mais conosco ou sequer sentimos pesar por suas mortes. Exatamente como num sonho, aonde tudo que aconteceu perde a importância depois que você acorda.

Agora ando com Daniel na antiga Avenida Rio Branco. Todas as ruas estão agora cobertas de plantas. Prédios destruídos, carros enferrujados pela água salgada e até carcaças de barcos conseguimos distiguir entre as ruínas. Poucas pessoas vêm aqui, muitas preferem não ver a paisagem de um passado destruído. Mas acredito que daqui a alguns anos tudo aqui vai ser diferente, talvez até construam uma nova cidade. Conheço uma pessoa que gostaria de vir para cá, e é por causa dele que estamos aqui. Desde a instauração do Millennium, nunca mais o vimos, mas eu sei que ele está por aí em algum lugar. Ele que sempre gostou do Rio de Janeiro, não ia perder a oportunidade de visitar a antiga Cidade Maravilhosa. Leia o resto deste post »

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